quarta-feira, 28 de janeiro de 2015



Renunciando à renúncia
Eu e Dudu nos tornamos grandes amigos. Quando ele se ausentava nos fins-de-semana, eu assumia o papel dele. Certa vez, recebemos a denúncia de que um genro de Carlos Cruz havia comprado um posto de gasolina para os lados da Matriz. Repercutimos a denúncia no programa eleitoral. Ana Paula Cruz mordeu a isca e replicou no dia seguinte, negando a estória e afirmando que renunciaria, se fosse verdade. Nossa tréplica foi demolidora e criativa: estavam em nossas mãos todas as informações sobre o processo de execução que corria em uma das Varas da Comarca. O genro não honrara os cheques referentes à compra do posto e o vendedor ajuizara. Até os números dos cheques nós revelamos. E desafiamos a deputada a renunciar, como prometera. O assunto morreu por aí.
Orlete coordenava um setor do Comitê feminino, junto com Mariceli, Ana Ester, Cássia e outras lideranças. Ela encomendou 3.000 chapéus de palha na rua do Horto para distribuí-los durante a procissão no dia 15 de setembro. Cada um levava um detalhe que era propaganda eleitoral de nossa chapa. No dia anterior:
- Sávio, a gente precisa ir apanhar os chapéus, mas o comitê diz que não há um tostão em caixa. E agora?
- Quanto é a despesa?
- Dois mil e setecentos reais. Cada chapéu sai por noventa centavos...
Preenchi um cheque e entreguei-lhe. Foi minha contribuição financeira à campanha, que era MESMO franciscana.

terça-feira, 20 de janeiro de 2015









Os primeiros e incertos passos
A campanha começou tímida e franciscana. Mais uma vez, fiquei com a assessoria jurídica, auxiliado por Virlene e por Jeanne, minha sobrinha, estabelecidos em um comitê na Ailton Gomes. Minha primeira providência foi oficiar ao Juiz Eleitoral solicitando a data do sábado, às vésperas da eleição, para a realização da carreata final, inclusive com roteiro pré-estabelecido, abrangendo todo o perímetro urbano, e horário exagerado, das 10 às 17 horas. Era uma medida preventiva, que visava evitar a concorrência dos adversários.
Raimundo conseguiu a casa de Chico Lustosa, onde hoje é a Justiça Federal, e ali se instalou o comitê central, inclusive o setor de marketing, sob a coordenação de Dudu, da Síntese. Toda noite percorríamos um bairro em carreata, que terminava em pequenos comícios localizados.
No primeiro dia da propaganda gratuita no rádio, um domingo, Maurinho apareceu lá em casa, pelas dez horas, com cara de velório:
- Dr. Sávio, papai leu o texto que prepararam, lá na rádio, e disse que não leria no programa eleitoral de jeito nenhum.
- A que horas vai ao ar?
- Às sete da noite.
- Tem tempo de sobra. Depois do almoço a gente vai lá dar um jeito.
Conversamos o resto da manhã e depois do almoço. Lá pelas três da tarde, fomos à rádio Vale FM. Li o texto, que realmente era medíocre, sentei-me à frente de um computador e redigi um novo, com uma síntese de um programa de governo bem adequado para a abandonada Juazeiro, e voltei para casa. À noite, Raimundo passou por lá:
- Gostei de seu texto, até das muriçocas. Queria lhe pedir que a partir de amanhã você ficasse lá no comitê central...

segunda-feira, 12 de janeiro de 2015

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Uma reunião para ficar na história
Na sexta-feira, último dia do prazo antes da convenção, houve a reunião definitiva na escola de Horaci. Devido ao impasse quanto ao cargo de vice, providenciei a impressão de várias chapas diferentes, todas com o nome de Raimundo para prefeito, mas com nomes variados para vice: Hugo Santana, Guálter Alencar, Wilton Almeida, José Roberto Celestino, Silva Lima, inclusive Andrei Salviano. Isso foi feito abertamente, na sala de Reginaldo, com muita gente testemunhando, inclusive Wilton e dr. Quim.
A reunião foi tumultuada. Havia pessoas presentes que não pertenciam ao diretório, o que era inaceitável. Como presidente do partido, Silva Lima se alterou e se agarrou com Fernando, tentando expulsá-lo da sala. Vasques Landim perdeu a calma e me acusou de estar preparando uma maracutaia. Obviamente alguém distorcera a verdade e lhe contara a minha iniciativa de imprimir várias chapas com vices diferentes. Hugo Santana e Guálter Alencar se retiraram, temerosos, da reunião. Contudo, os ânimos serenaram, a razão voltou a presidir os atos e findamos por formalizar a chapa. Para o bem ou para o mal, agora era Raimundão e Andrei.
 

terça-feira, 6 de janeiro de 2015









Como nasce uma candidatura
No dia seguinte e praticamente durante todo o ano que antecedeu a eleição, Raimundo aparecia lá em casa, me convidava a acompanhá-lo e saíamos por aí, visitando gente e lugares, principalmente indústrias. Levou-me ao Herzog, na URCA, ao padre Murilo, meu colega de sofrimento vascaíno, com quem sempre mantive relações fraternais, apesar da oposição de nossas opiniões filosóficas. Acho que Raimundo queria me exibir como um troféu conquistado, um aliado valioso na dura caminhada pela indicação partidária.
A partir daí, passei a procurar os convencionais com quem mais me relacionava ou identificava, argumentando que Raimundão era uma chance viável de o partido retornar ao exercício do poder e de executar nossos projetos em benefício do Município. O apoio interno à candidatura dele foi se consolidando aos poucos. Em fevereiro de 2004, resolvemos antecipar a decisão oficial do PSDB sobre a sucessão municipal. Salviano e Vasques Landim lideravam o bloco dos que não concordavam com a ideia da antecipação. Foi marcada uma reunião do diretório no prédio da escola de Horaci, ali perto do Salesiano. Não se conseguiu uma definição, mas, pelo menos, deu para sentir que o nome de Raimundão já era majoritário dentro do partido. Em uma reunião seguinte, no mesmo local, ficou finalmente combinado, e registrado em ata, que Raimundo Macedo seria o candidato a prefeito e que Salviano indicaria o candidato a vice.
Os dias foram passando, Raimundão já em campanha aberta, e nada de Salviano definir o nome do vice. Faltando três ou quatro dias para o prazo final das convenções, me dirigi ao escritório do senador Reginaldo Duarte, no Medical Center, onde haveria uma reunião de cúpula com o objetivo de definir o vice:
- Salviano vem?
- Que nada... ele viajou para Brasília.
- Não acredito. Nós temos um prazo a cumprir junto à Justiça Eleitoral...
Como secretário do Diretório, a responsabilidade era minha.
Resolvemos ligar para ele. Conversamos e ele me disse que voltasse a ligar no dia seguinte, mesma hora. Liguei, de minha casa mesmo:
- E aí, Salviano?
- Já decidi. O vice vai ser Andrei Salviano.
Já havia comentários a respeito. Ainda argumentei que Andrei era um garoto, desconhecido na cidade e que o partido possuía quadros excelentes para apresentar na chapa, mas ele se manteve irredutível. Nas circunstâncias, tive que fazer o comunicado à Justiça Eleitoral, apontando diversos nomes como vice-prefeito.
Quando comuniquei a notícia a Raimundo, ele se mostrou contrariado. Havia soluções melhores, mas o partido é que decidiria.

terça-feira, 23 de dezembro de 2014









O primeiro encontro
Em setembro, me encontrei casualmente com Silva Lima no Shopping Cariri. Conversamos e veio à tona a possibilidade da candidatura de Raimundão a prefeito, respaldado na votação do ano anterior. Eu disse que não via com bons olhos, por causa de certos comentários que ouvira e até porque inexistia qualquer relacionamento entre nós dois, salvo os cumprimentos formais em reuniões.
- Você concordaria em se encontrar com ele, para um jantar?
- Não ponho obstáculos quanto a isso. Sou civilizado.
Depois, Silva me ligou avisando que o jantar seria na quinta-feira, no Restô Jardim, às vinte horas.
Chegando lá, encontrei Silva e ficamos conversando e bebericando. Logo em seguida chegam Raimundo e Maurinho:
- Pois é, dr. Sávio...
- Pois é, Raimundo... eu tenho algumas objeções a fazer a sua candidatura.
- Pode falar, doutor.
- Em primeiro lugar, há uma história que me contaram de que você substituiu Carlos Cruz na prefeitura e encheu vários caminhões de mercadorias diversas e levou para Aurora...
- Isso aí foi invenção de Aguinaldo Carlos. Ele era presidente da Câmara e queria ser o prefeito-tampão. Como eu assumi, ele espalhou a história.
- A outra coisa é que também me disseram que você contraiu um débito milionário no BEC e nunca pagou.
- O empréstimo existiu, mas é pouca coisa. Quando fui pagar, a dívida estava inchada. O BEC me executou e eu me defendi. A Justiça ainda não decidiu...
Conversamos sobre outros assuntos e o encontro terminou em clima de cordialidade.